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sábado, 17 de junho de 2017

Devemos ser o que fomos e assim nos aceitarmos

A felicidade é uma decisão pessoal
Muitos de nós temos dificuldade em ter empatia e simpatia com o outro, com aqueles com quem congregamos diariamente. A aceitação recíproca é algo imperioso numa sociedade que reprime, julga e marginaliza seus pares. É preciso refletir se, talvez, essa falta de tolerância com o outro não seja resultado da falta de amor consigo, pois só podemos exalar daquilo que nos sobra. Está pulverizado na sociedade uma ideia tão enraizada de julgamento que esquecemos de olhar para nós mesmo no intuito de nos conhecermos, sabermos quem somos, que lugar ocupamos. É muito fácil nos acostumarmos com os rótulos, editados em nós pela opinião dos outros, pelo julgamento alheio. Essa interminável roda gigante nos impede de construir uma imagem consciente a respeito de nós mesmos, nos poda na construção do que Freud chama de sentimento de estima de si. Como posso olhar para dentro de mim quando só tenho olhos para apreciar os predicativos dos meus pares? Quando olhamos para nós nos permitimos saber quais caminhos percorrer, quais vozes ouvir e quais sentimentos realinhar. Isso tudo tem a ver com autoestima, aquela palavra tão reflexiva e tão pouco vivida, aquele sentimento de olhar para si e se respeitar, se amar em primeiro lugar, de não esperar aprovação de ninguém, de saber que você, mesmo com tantos defeitos, pode ser feliz. Autoestima é não se comparar com ninguém, é ser feliz com quem você é, é ter segurança para ouvir críticas e não deixar de se respeitar por isso, é se achar incrível. Não é fácil encontrar o equilíbrio na sutil fronteira da autoestima e da arrogância. Somente com muita sabedoria é possível saber que olhar para si com amor e confiança não nos autoriza a pensarmos que somos semideuses ou abrir mão da humildade e resiliência necessárias à construção de relacionamentos saudáveis. Nós temos o direito de nos amar, mas não temos o direito de sermos cruéis. Porém, para além das dificuldades de sermos quem somos, devemos viver sem julgar, mas sem aceitarmos julgamento. Não se cobre, não se limite ao olhar do outro, não se boicote, saiba que o mundo de possibilidades que há em cada um de nós pode ser o mundo de possibilidade de outro. Para sermos especiais devemos ser apenas nós mesmos e oferecer aquilo que temos: se é amor que seja amor, se não, dê-se uma segunda chance, cuide-se.

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