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sábado, 10 de junho de 2017

O que é público é de todos nós

O que é público é do povo e por ele deve ser cuidado e protegido
O Brasil insalubre do século 19 mudou pouco. Em pleno século 21, mais de 100 milhões de pessoas não são atendidas pelos serviços de saneamento básico, o que representa a maioria da população. A coleta e o tratamento de esgoto – serviço absolutamente essencial – têm sido deixados de lado por sucessivos governos por falta de educação política. Isso é um desastre na saúde pública porque repercute diretamente na mortalidade infantil. É justamente nas regiões periféricas e de maior acesso ao saneamento básico que aparecem o surto de doenças ligadas ao Aedes Aegypti e a maior incidência de recém-nascidos com microcefalia por causa do Zika Vírus. A coleta e tratamento de esgotos são partes do que chamamos saneamento básico, que engloba também a coleta e tratamento do lixo, as águas pluviais, o cuidado com as ruas e praças da cidade e o controle de pragas. Enfim, o saneamento básico é condição da saúde pública. Você sabe quais doenças são programadas pela falta de saneamento básico? Muitas: Febre Tifoide, Cólera, Leptospirose e além dessas, temos várias parasitoses e outras doenças que atingem desde crianças a pessoas idosas. Antigamente, os políticos não se interessavam em investir em saneamento porque canos e manilhas ficavam enterrados e a obra não aparecia. Essa cultura atrasada precisa mudar. O tratamento de esgoto é um direito do ser humano, exigido pela Organização das Nações Unidas, pois é indispensável para gozar plenamente do direito à vida. Uma pessoa com educação política logo percebe quando chega a uma cidade e vê um de seus cartões postais sendo destruído pelo homem, geralmente um rio, córrego, lago ou baía. Isso acontece pela ausência de coleta e tratamento de esgoto. As comunidades são obrigadas a conviverem com seus próprios dejetos, que são lançados ao ar livre, em fossas, geralmente mal construídas, valas negras ou jogadas diretamente nos córregos e rios. O saneamento básico é visto pela sociedade como uma questão pública, e na nossa cultura isso quer dizer que é uma questão de ninguém. Na verdade, deveria dizer que é uma questão de todos nós. Atinge a todas as pessoas e deveria ser prioridade de toda a sociedade. Está na hora da gente colocar as coisas em seu devido lugar e mudar as prioridades de todos nós. Isso eu chamo de educação política para o século 21. O que é público, é de todos nós. E todos devemos agir e cobrar. 

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