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terça-feira, 4 de julho de 2017

Temer é o pato manco da vez

Ultimamente a Presidência da República tem sido ocupada por políticos endiabrados
A denúncia feita ao Supremo Tribunal Federal pela Procuradoria Geral da República contra o presidente Michel Temer chegou num momento em que o chefe do Executivo se encontrava enfraquecido não apenas perante a opinião pública – sua popularidade está quase a zero –, mas também no Congresso. Temer foi denunciado por crime de corrupção passiva, com base em investigação feita a partir da delação de executivos da JBS. Outras duas denúncias devem se seguir, uma delas por obstrução da Justiça. É mais uma notícia negativa para Temer. Internamente, até mesmo aliados, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, tem defendido sua renúncia e a antecipação das eleições. Enquanto a economia continua patinando, o caso JBS mergulhou o presidente em sua pior crise política, mas Temer vem tentando demonstrar tranquilidade. Não dá para afirmar com clareza quais serão os desdobramentos das denúncias da PGR. A Câmara dos Deputados precisará aprovar o prosseguimento da denúncia contra Temer antes que o plenário do Supremo vote se o presidente se torna ou não réu por corrupção passiva. O processo só prosseguirá no STF se a denúncia for aprovada no plenário da Câmara com os votos de pelo menos dois terços (342) dos deputados, como está estabelecido na Constituição. Não há dúvida de que as acusações são gravíssimas. É bom lembrar que por muito menos Dilma Rousseff foi defenestrada da Presidência. Se Temer cair, caberá ao Congresso escolher um substituto. Ocorre que o próprio Parlamento está com sua credibilidade em baixa, com muitos de seus integrantes envolvidos em escândalos. É possível, porém, que Temer seja “salvo” pelos parlamentares, pois, ao contrário de Dilma, o atual presidente dispõe de uma base aliada mais sólida, embora já haja sinais de rachaduras. Mesmo que escape do processo, entretanto, o presidente poderá até se transformar naquilo que a política dos Estados Unidos batizou de “pato manco”, ou seja, o governante que permanece no cargo, mas sem poder e sem prestígio. Resta saber como o País sobreviverá a esse período.

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