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terça-feira, 1 de agosto de 2017

Facções criminosas avançam rumo ao Interior

Apontadas como responsáveis pelo crescimento da criminalidade visto principalmente em Fortaleza, facções criminosas avançam também em grandes municípios do Interior. Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) e a pasta da Justiça e Cidadania (Sejus) se movimentam para tentar frear a expansão.
Tiroteio ocorrido no último domingo em Aracati, a 152 quilômetros de Fortaleza, ocorreu em meio a operação de combate a homicídios cometidos pelo crime organizado, segundo informou o subcomandante da 2ª Companhia do 1° Batalhão da Polícia Militar, Maxwel Cândido. Na ação, cinco pessoas morreram e duas ficaram feridas.
Segundo Cândido, há cerca de um mês e meio a Polícia passou a registrar ocorrências de maior gravidade em três bairros cuja situação se tornou mais crítica, o que deixou os moradores aterrorizados. As investigações, ele explica, apontaram para disputa de facções na região.
No Crato, a 504 quilômetros de Fortaleza, facções criminosas teriam assumido o controle do comércio de drogas. Apenas quem é vinculado a alguma organização teria permissão dos líderes do crime para vender entorpecentes, segundo disse o delegado Luiz Eduardo da Costa, em entrevista veiculada pelo site Cariri Ceará, na semana passada. Em muros da cidade caririense, há várias pichações com referências a esses grupos.
Em Sobral, a 234 quilômetros da Capital, as organizações já se fazem sentir há algum tempo. Em junho de 2016, mais de 70 pessoas foram presas durante marcha que comemorava “acordo de paz” entre as organizações. Ações
O presidente do Conselho Penitenciário, Cláudio Justa, explica que as organizações passaram a tentar se legitimar e ganhar visibilidade após a quebra do acordo de paz. “Quando estava com o pacto de paz, eles não se autonomeavam muito. Quando houve a declaração de guerra, começaram a se enfrentar e houve a exigência de autodeclaração. Ficou visível a situação das facções nas cadeias públicas do Interior”, descreve.
Para Justa, a precariedade da estrutura penitenciária no Interior contribui para os grupos se estabelecerem. “Nas cadeias públicas é maior a facilidade de comunicação com as ruas”. Ele acredita que a alternativa seria criar unidades regionalizadas. Regionalização
O Ceará possui 132 cadeias públicas, que podem dar lugar a 14 unidades regionais, conforme explica o coordenador especial do Sistema Penitenciário da Sejus, Edmar Santos. As 14 unidades ficariam assim distribuídas: Cariri, Centro-Sul, Grande Fortaleza, Litoral Leste, Litoral Norte, Litoral Oeste e Vale do Curu, Maciço de Baturité, Serra da Ibiapaba, Sertão Central, Canindé, Sobral, Crateús, Sertão dos Inhamuns e Vale do Jaguaribe.
“A gente acredita que a facção se expande quando o estado se ausenta. Quando propomos essa ideia acreditamos que as organizações não tenham caminho para se expandir. Esse controle de expansão é circunstância de segurança pública e reflete no sistema prisional”, ressalta Edmar Santos.
O POVO – Repórter Jéssika Sisnando

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