Pages

Subscribe:

About

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Governador ignora setores de Inteligência do Ceará e vai a Brasilia pedir a Temer ajuda da PF, dinheiro, armas e viaturas para combater facções

Camilo e Temer ontemCamilo esteve em audiência com Temer no Palácio do Planalto em busca de recursos para combater o crime
O Ceará possui, ao menos, oito órgãos de Inteligência, distribuídos e atuantes nas esferas as forças de Segurança Pública, do Sistema Penitenciário, do Ministério Público, da Polícia Federal e do próprio governo federal, através da Agência Brasileira de Inteligência (Abin).  Ainda assim, o governador Camilo Santana (PT) pediu ajuda ao presidente da República, Michel Temer (PMDB) para que uma força-tarefa da PF seja designada para vir investigar crimes comuns, aqueles praticados por grupos criminosos que se autodenominam de facções.

Camilo esteve em Brasília, nesta terça-feira (30), em busca de ajuda federal para coibir o avanço das facções no estado, fato que ele negou durante os dois primeiros anos de sua gestão à frente do Palácio da Abolição. Rendido pelas altas taxas de assassinatos e roubos, ataques e atentados contra o sistema de transporte urbano, unidades policiais e do próprio governo, ele mudou de opinião e admitiu que o estado está com a sua Segurança Pública comprometida, mas “sob controle”.

A chacina que deixou 14 pessoas mortas na madrugada do último sábado (27), numa casa de shows no bairro Cajazeiras, em Fortaleza; e o massacre de 10 presos na Cadeia Pública da cidade de Itapajé (a 125Km da Capital), na manhã de segunda-feira (29), levou o governador a ir à Brasília pedir socorro ao presidente Temer.  No entanto, o pedido foi respondido com a promessa do envio da força-tarefa da Polícia Federal, que aqui irá auxiliar as forças locais a investigar as facções.

Tiro no pé

A atitude de Camilo Santana, em trazer uma equipe da PF ao Ceará revela que ele não tem confiança ou duvida da competência dos organismos estaduais da Inteligência.  O anúncio da inda da força-tarefa da Federal não soou bem nos bastidores da Segurança. Na Polícia Civil, por exemplo, os delegados estão indignados. “É como se ele estivesse dizendo que aqui no nosso estado não há profissionais de Segurança capazes de solucionar um crime comum, que sequer foi federalizado”, disse um veterano delegado da Polícia Civil, que pediu para não ser identificado nesta reportagem.

As duas matanças que levaram o governador a Brasília já estão sendo apurados no âmbito da Polícia Civil. Em relação à chacina das Cajazeiras, vários suspeitos já estão presos e armas apreendidas. No caso de Itapajé (onde 10 detentos da Cadeia Pública foram assassinados), ao menos cinco detentos já foram indiciados como envolvidos nas mortes.

Dos oito núcleos de Inteligência em atuação no Ceará, seis deles são estaduais e, portanto, podem ter o acompanhamento do próprio governo. São eles: Departamento de Inteligência Policial/DIP (da Polícia Civil), Coordenadoria de Inteligência Policial/CIP (do Comando-Geral da PM), Coordenadoria Integrada de Inteligência/Coin (da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social), Divisão de Combate às Ações do Crime Organizado/Draco (da Polícia Civil), Núcleo de Inteligência Penitenciária (da Secretaria da Justiça e da Cidadania/Sejus).

Além dessas seis unidades, atuam também no Ceará o setor de Inteligência da Superintendência Regional da Polícia Federal (PF-SR-CE) e o escritório local da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que pertence ao governo federal.  

Veja quais os pedidos que o governador Camilo Santana fez ao presidente Michel Temer:

- Antecipação do envio do grupo especializado de combate ao crime organizado

- Envio de cinco equipes da Polícia Judiciária da Força Nacional de Segurança (FNS)

- Montagem de uma estrutura de combate permanente à lavagem de dinheiro e ao tráfico de drogas e armas

- Instalação de um Centro Regional de Inteligência

- Apoio para construir e equipar o Centro de Inteligência do Ceará, no valor de R$ 15 milhões

- Construção de 14 unidades penitenciárias regionais que possibilitem o fechamento de 132 cadeias públicas, no valor de R$ 350 milhões

- Reaparelhamento da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce)

- Envio de 2.800 armas e coletes à prova de balas e 300 viaturas policiais.

Fonte: Blog do Fernando Ribeiro

0 comentários:

Postar um comentário