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quarta-feira, 21 de fevereiro de 2018

Chefão do PCC que fugiu do Ceará morou quatro anos em Fortaleza se passando por empresário de eventos


Momento da prisão em Guarulhos/SP    No Ceará, "Cláudio Boy" usava nome falso
Com nome falso, um suposto bem-sucedido empresário do ramo de eventos, o narcotraficante e fugitivo da Justiça brasileira e internacional, Claudiney Rodrigues de Souza, o “Cláudio Boy”, mineiro, 36 anos, conseguiu durante quatro anos driblar a Polícia e os setores de Inteligência do Ceará. Era, na verdade, mais um dos chefões da facção criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) que escolheram Fortaleza para gastar o dinheiro do comércio nacional e internacional de cocaína. Agora, surge como principal suspeito de ter assassinado outros dois líderes da mesma organização criminosa.

Na madrugada de segunda-feira passada (19), “Cláudio Boy” teve que fugir às pressas de Fortaleza. Usando documentos falsos, roupas discretas e óculos escuros, ele embarcou no Aeroporto Internacional Pinto Martins em um voo com destino a São Paulo. Porém, não sabia que no Aeroporto de Guarulhos, onde iria desembarcar, a Polícia Federal e agentes da Interpol já o aguardavam. Acabou preso ainda dentro da aeronave.

A fuga às pressas de Fortaleza tinha uma justificativa. Na manhã de sexta-feira passada (16), bandidos que seriam também do PCC, usando distintivos e coletes à prova de balas, se passaram por policiais e foram até o condomínio de luxo onde “Cláudio Boy” morava com a família, no bairro Cocó, zona nobre da Capital cearense. O objetivo do grupo era eliminá-lo. Ele, porém, não estava em casa e, por prevenção, os seguranças do prédio não permitiram a entrada dos falsos agentes federais.

Os corpos

A presença dos falsos federais no condomínio onde o bandido do PCC morava tinha uma razão forte. Ele passou a ser caçado como suspeito de ter ordenado a morte dos também traficantes e líderes do PCC, Rogério Jeremias de Simone, o “Gegê do Mangue”; e Fabiano Alves de Sousa, o “Paca”, que, assim como ele, estavam morando em Fortaleza, nas barbas da Polícia cearense sem que fossem descobertos. Naquele mesmo dia – sexta-feira – mas à tarde, os corpos dos dois bandidos paulistas foram encontrados crivados de balas em um matagal da reserva indígena Lagoa Encantada, em Aquiraz, na Região Metropolitana de Fortaleza (RMF).

A morte dos dois bandidos do PCC passou também batida pela Polícia cearense, que não sabia de quem se tratava. Os corpos foram levados na noite de sexta-feira para a sede da Coordenadoria de Medicina Legal (Comel), da Perícia Forense do Estado do Ceará (Pefoce), e só no domingo veio a identificação dos cadáveres. Em São Paulo, porém, o assassinato dos chefões do PCC fora da cadeia já era do conhecimento de todos os membros da facção.

E somente no domingo (18), a Polícia cearense se deu conta do tamanho do problema gerado com a morte dos líderes da maior organização criminosa em atividade no País. Logo, as autoridades se apressaram em reforçar a segurança no prédio da Pefoce, temendo uma invasão de bandidos no local. No mesmo dia, desembarcou em Fortaleza a Força-Tarefa do Ministério da Justiça, formada por agentes e delegados da PF e policiais e peritos da Força Nacional de Segurança (FNS), para “auxiliar” as unidades de Segurança locais a investigar as ações do crime organizado no Ceará.

No dia seguinte, ao ser indagado pela Imprensa sobre o crime e a chegada da Força-Tarefa ao Ceará, o secretário da Segurança Pública e Defesa Social, delegado federal André Costa, se apressou em afirmar que os dois fatos não têm ligação, apenas uma “coincidência”, pois, segundo ele, a vinda do reforço federal estava prevista desde o ano passado.

Com sete mandados de prisão preventiva contra si, e com o nome incluído na lista dos procurados pela Interpol, “Cláudio Boy” parecia não estar preocupado com a Polícia do Ceará. A execução sumária de seus comparsas do PCC sim, foi o que apressou sua desastrosa fuga de Fortaleza, que resultou na prisão em Guarulhos.

Até a noite desta terça-feira, a Secretaria da Segurança Pública (SSPDS) informava não ter conhecimento da fuga e prisão do bandido, muito menos de que ele era mais um dos “figurões” do PCC que decidiram morar aqui para gozar da beleza das praias do Ceará, das baladas da noite em Fortaleza e da parca Inteligência Policial do estado.

Sepultamento

Na tarde desta terça-feira (20), “Gegê do Mangue” e “Paca” foram sepultados em cemitérios distintos na capital paulista. Os corpos saíram de Fortaleza ainda na segunda-feira (19) em um voo fretado pelas famílias. Antes, passaram pelo processo de embalsamamento numa funerária de Fortaleza. As investigações sobre o duplo assassinato dos líderes do PPC estão sendo realizadas pela Delegacia de Combate às Ações do Crime Organizado (Draco).

Blog do Fernando Ribeiro

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