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sexta-feira, 11 de janeiro de 2019

A hora e a vez de Camilo Santana

Em artigo no O POVO desta sexta-feira (11), o jornalista e professor universitário Magela Lima aponta que “age de má fé, no entanto, quem atribui os episódios recentes a uma possível omissão do Governo”. 

Confira:

Para quem vive no Ceará, o ano novo já começou velho. Os primeiros dias de 2019 foram dominados por uma escalada de violência nunca antes vista. É mais que compreensível o pavor que se fez cotidiano entre os mais diferentes grupos. Age de má fé, no entanto, quem atribui os episódios recentes a uma possível omissão do Governo. O grupo político que administra o Estado, desde 2006, tem concentrado, justamente, na área da segurança pública boa parte de seus esforços e o cearense, que acabou de ir às urnas, parece reconhecer isso.

O governador Camilo Santana foi reeleito com quase 80% dos votos e o ex-governador Cid Gomes, que o antecedeu, conquistou uma vaga para o Senado, mesmo com os casos de violência beirando o absurdo. Em 2017, o Ceará registrou 5.133 casos de homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte. No ano passado, levantamentos preliminares apontam para uma redução de cerca de 13%. De todo modo, os números dão conta de 4.460 mortes violentas. Entre 2007 e 2017, o Ceará foi o estado brasileiro que registrou o maior aumento no número de mortes de homens entre 15 e 24 anos. Uma geração foi dizimada.

O discurso da negação dessa realidade é absolutamente perigoso. Como também é o discurso de inoperância do Governo. A questão é grave demais para qualquer gesto no sentido de contemporizar ou propor saídas fáceis. É evidente que chegamos todos num limite. Longe de desconhecer as medidas feitas até o momento, estratégia fácil entre as oposições, ou terceirizar responsabilidades, tentação recorrente a quem está na gestão, a situação requer uma ampla articulação tendo em vista a proposição de novas e mais eficazes medidas no combate à violência.

Todo o esforço feito até aqui não foi suficiente. Sem as medidas adotadas nos últimos anos, porém, o cenário atual seria ainda pior. De tal modo que cabe ao governador Camilo Santana ter a paciência necessária para encontrar um espaço de reflexão e proposição que fuja dos extremos. Dessa vez, embora a crise seja de maior gravidade, ele tem a oportunidade ímpar de ajustar o que for preciso já na largada de seu segundo mandato e, de fato, consolidar um legado público na área da segurança.

Magela Lima

Jornalista e professor universitário

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